Tingir, pintar, colorir. Três verbos transitivos diretos que representam mais do que cobrir paredes e móveis com tinta. Na delicada tarefa de transformar a casa em refúgio por meio da decoração, eles são uma forma segura de resgatar memórias e provocar sensações usando a cor como ferramenta. E é justamente isso que os três projetos a seguir conseguem viabilizar com perfeição.
Além de fazer bom uso dos tons tanto no sentido prático quanto no simbólico, eles compartilham um segundo ponto em comum: todos mesclaram diferentes tipos de nuances em apartamentos pequenos, espaços que geralmente se rendem com facilidade às paredes brancas e aos acessórios neutros. O resultado é inspirador, como você pode conferir clicando nas imagens.
Cor própriaTudo começou quando Vivianne Pontes decidiu comprar um apartamento no Rio de Janeiro, em 2007. Da vontade de criar um lar único e que refletisse a sua personalidade surgiu o blog De(coeur)ação, no qual ela passou a postar as ideias garimpadas em revistas e nas jornadas em busca de móveis usados. De lá para cá, o site cresceu, virou referência e se transformou no blog de decoração mais visitado do país. Mérito dessa mineira e do seu marido André Nogal, que abusam da criatividade para recuperar objetos antigos e produzir ambientes autorais.
“Questione-se sempre sobre as cores que lhe emocionam. Através das respostas, é possível montar uma esquema harmônico de decoração”, Vivianne Pontes
Mesa e cadeiras, Tok & Stok; lustre, Brechó do Casarão; móbile de nuvem, acervo pessoal; espelho, White Elephant.
História em curso
Os móveis e acessórios são os grandes destaques da sala de Vivianne. As cores aparecem nas cadeiras, nos bancos, nas almofadas e nas molduras de quadros distribuídos ao longo do espaço, formando uma composição harmônica. Como não poderia ser diferente, cada objeto foi garimpado ou sofreu algum tipo de intervenção da moradora, o que garantiu ainda boas histórias para o seu lar.
Cadeira Eames, New Look Design; sofá, Rio Decor; almofadas Alice no País do Cordel, com ilustrações de Mayra Magalhães; aparador e almofada monstrinho “André”, Muleca, encontrados na feira da rua Lavradio, no Rio de Janeiro.
Onde o conforto desperta
Para transmitir conforto, Vivianne escolheu um papel de parede na mesma cor que o interior da garrafa da personagem Jeannie, da série “Jeannie é um Gênio”. “Que criança naquela época não sonhava morar na garrafa da personagem?”, brinca a blogueira. Apesar de gostar de carpetes de madeira claros, o casal também preferiu uma peça escura para deixar o ambiente aconchegante. E foi durante o processo de compra e instalação do piso que eles descobriram o quão importante é pesquisar preços para baratear o custo da reforma. “Compramos o carpete de madeira on-line e ligamos para um instalador, que teve o desplante de cobrar R$ 1.700 para cobrir 10 m². Encontramos então o Mariano, que cobrou o preço justo de R$ 180, acabou o serviço em duas horas e não deixou sujeira”, ressalta.
Papel de parede, Bobinex; criado-mudo e cama, Exército da Salvação; carpete de madeira Scandian Fashion Floor, MadeiraMadeira; abajur, DealExtreme.
Jornada visualVisitar a residência do arquiteto Túlio Xenofonte é mergulhar no seu universo particular. Em cada parede do apartamento, localizado no bairro da Consolação, em São Paulo, é possível admirar e tocar memórias da sua infância, lembranças de viagens, presentes de amigos e obras de arte. Uma experiência estimulante para quem explora os 65 m², marcados por diversos tipos de texturas, listras e, claro, muita cor. “A cidade de São Paulo é cinza e a maioria dos projetos trabalha com cores fechadas. Eu queria que a minha casa fosse um contraponto a tudo isso”, resume o rapaz, que é natural do Rio de Janeiro.
“Para uma residência ter cara de casa, é preciso manter as referências da história do morador”, Túlio Xenofonte
Poltrona de madeira laqueada azul-claro, Dpot; almofadas Designer’s Guild, Empório Beraldin; tecido listrado da parede e do sofá, Spazio Donatelli; gravura atrás do sofá, Kazuo Wakabayashi; mesa de jantar, acervo; cristaleira, Ben-Hur Antiguidades; abajur, comprado na Espanha; banco indiano, Espaço Til.
Um toque de arte
Filho de artistas plásticos e colecionador de peças contemporâneas, Túlio fez do apartamento uma galeria de arte. Além das obras na sala, as paredes do quarto receberam desenhos a lápis e um retrato do arquiteto assinado pelo seu pai, Marcondes Xenofonte. O clima vibrante vem da cor verde, pontuada nas paredes e no teto. “O resultado foi um ambiente mais íntimo e acolhedor”, completa.
As histórias também se fazem notar em cada objeto trazido para o quarto. É o caso das almofadas pretas de vison, cujo tecido foi reaproveitado de um antigo casaco de pele da avó do arquiteto. Já o lustre colorido foi presente de uma cliente que nunca havia estado em seu apartamento e decidiu dá-lo a Túlio por intuição. “O apartamento é uma mistura de peças clássicas com outras contemporâneas. Isso deixou o ambiente aconchegante, mas com uma identidade”, ressalta.
Cabeceira em manta de lã Missoni, Empório Beraldin; cômoda do quarto em caviúna, Ben-Hur Antiguidades; retrato a óleo, Marcondes Xenofonte; lustre, DocDog; cadeira e almofadas, acervo pessoal.
Pontos de intersecção
Foi da combinação entre cinza e amarelo que surgiu a logomarca do escritório do arquiteto Túlio Xenofonte e seu sócio, Edu Lupo Toledo. Mas a dupla de cores não ficou restrita ao papel e ganhou as paredes do home office, garantindo ainda mais vivacidade ao lar do arquiteto. “Além de ser uma cor neutra e combinar com tudo, o cinza destaca os elementos que o acompanham. Por exemplo, os quadros fixados na parede não teriam tanta graça caso o fundo fosse branco”, ilustra o profi ssional. Se o verde foi utilizado para demarcar os ambientes onde a intimidade impera, coube ao amarelo setorizar as áreas do escritório. Dessa forma, o colorido foi pontuado também no banheiro, espaço frequentemente visitado. “O uso das cores foi útil nas áreas que servem de ponto de intersecção entre casa e trabalho”, complementa.
Tapete e cadeiras giratórias, Etna; mesas brancas, Marcenaria Oriol; mesa de apoio, Ben-Hur Antiguidades.
Sem medo de mudanças
Mudar é um imperativo na vida do homem. Das estações do ano à evolução do corpo, nada fica imune às transformações provocadas pelo tempo. O que dirá, então, dos gostos, sonhos e humores? Todos são transitórios, mas nem por isso menos importantes. Para que a decoração do seu recém-comprado apartamento no Guarujá, litoral paulista, acompanhasse com facilidade os rumos inesperados da sua vida, o arquiteto Cássio Pinto teve na ocasião uma ideia corajosa: manter paredes, móveis e pisos em nuances claras e deixar a cor entrar nos ambientes através dos acessórios. Com isso, a dinâmica do espaço pode ser continuamente transformada apenas alternando as tonalidades dos objetos.
“A cor foi o ponto de partida para trazer elementos da praia e do verão para a casa. Toda a transformação custou R$ 12 mil”, Cássio Pinto, arquiteto
Além de fazer bom uso dos tons tanto no sentido prático quanto no simbólico, eles compartilham um segundo ponto em comum: todos mesclaram diferentes tipos de nuances em apartamentos pequenos, espaços que geralmente se rendem com facilidade às paredes brancas e aos acessórios neutros. O resultado é inspirador, como você pode conferir clicando nas imagens.
Cor própriaTudo começou quando Vivianne Pontes decidiu comprar um apartamento no Rio de Janeiro, em 2007. Da vontade de criar um lar único e que refletisse a sua personalidade surgiu o blog De(coeur)ação, no qual ela passou a postar as ideias garimpadas em revistas e nas jornadas em busca de móveis usados. De lá para cá, o site cresceu, virou referência e se transformou no blog de decoração mais visitado do país. Mérito dessa mineira e do seu marido André Nogal, que abusam da criatividade para recuperar objetos antigos e produzir ambientes autorais. “Questione-se sempre sobre as cores que lhe emocionam. Através das respostas, é possível montar uma esquema harmônico de decoração”, Vivianne Pontes
Mesa e cadeiras, Tok & Stok; lustre, Brechó do Casarão; móbile de nuvem, acervo pessoal; espelho, White Elephant.
História em curso
Os móveis e acessórios são os grandes destaques da sala de Vivianne. As cores aparecem nas cadeiras, nos bancos, nas almofadas e nas molduras de quadros distribuídos ao longo do espaço, formando uma composição harmônica. Como não poderia ser diferente, cada objeto foi garimpado ou sofreu algum tipo de intervenção da moradora, o que garantiu ainda boas histórias para o seu lar.
Cadeira Eames, New Look Design; sofá, Rio Decor; almofadas Alice no País do Cordel, com ilustrações de Mayra Magalhães; aparador e almofada monstrinho “André”, Muleca, encontrados na feira da rua Lavradio, no Rio de Janeiro.
Onde o conforto desperta
Para transmitir conforto, Vivianne escolheu um papel de parede na mesma cor que o interior da garrafa da personagem Jeannie, da série “Jeannie é um Gênio”. “Que criança naquela época não sonhava morar na garrafa da personagem?”, brinca a blogueira. Apesar de gostar de carpetes de madeira claros, o casal também preferiu uma peça escura para deixar o ambiente aconchegante. E foi durante o processo de compra e instalação do piso que eles descobriram o quão importante é pesquisar preços para baratear o custo da reforma. “Compramos o carpete de madeira on-line e ligamos para um instalador, que teve o desplante de cobrar R$ 1.700 para cobrir 10 m². Encontramos então o Mariano, que cobrou o preço justo de R$ 180, acabou o serviço em duas horas e não deixou sujeira”, ressalta.
Papel de parede, Bobinex; criado-mudo e cama, Exército da Salvação; carpete de madeira Scandian Fashion Floor, MadeiraMadeira; abajur, DealExtreme.
Jornada visualVisitar a residência do arquiteto Túlio Xenofonte é mergulhar no seu universo particular. Em cada parede do apartamento, localizado no bairro da Consolação, em São Paulo, é possível admirar e tocar memórias da sua infância, lembranças de viagens, presentes de amigos e obras de arte. Uma experiência estimulante para quem explora os 65 m², marcados por diversos tipos de texturas, listras e, claro, muita cor. “A cidade de São Paulo é cinza e a maioria dos projetos trabalha com cores fechadas. Eu queria que a minha casa fosse um contraponto a tudo isso”, resume o rapaz, que é natural do Rio de Janeiro. “Para uma residência ter cara de casa, é preciso manter as referências da história do morador”, Túlio Xenofonte
Poltrona de madeira laqueada azul-claro, Dpot; almofadas Designer’s Guild, Empório Beraldin; tecido listrado da parede e do sofá, Spazio Donatelli; gravura atrás do sofá, Kazuo Wakabayashi; mesa de jantar, acervo; cristaleira, Ben-Hur Antiguidades; abajur, comprado na Espanha; banco indiano, Espaço Til.
Um toque de arte
Filho de artistas plásticos e colecionador de peças contemporâneas, Túlio fez do apartamento uma galeria de arte. Além das obras na sala, as paredes do quarto receberam desenhos a lápis e um retrato do arquiteto assinado pelo seu pai, Marcondes Xenofonte. O clima vibrante vem da cor verde, pontuada nas paredes e no teto. “O resultado foi um ambiente mais íntimo e acolhedor”, completa.
As histórias também se fazem notar em cada objeto trazido para o quarto. É o caso das almofadas pretas de vison, cujo tecido foi reaproveitado de um antigo casaco de pele da avó do arquiteto. Já o lustre colorido foi presente de uma cliente que nunca havia estado em seu apartamento e decidiu dá-lo a Túlio por intuição. “O apartamento é uma mistura de peças clássicas com outras contemporâneas. Isso deixou o ambiente aconchegante, mas com uma identidade”, ressalta.
Cabeceira em manta de lã Missoni, Empório Beraldin; cômoda do quarto em caviúna, Ben-Hur Antiguidades; retrato a óleo, Marcondes Xenofonte; lustre, DocDog; cadeira e almofadas, acervo pessoal.
Pontos de intersecção
Foi da combinação entre cinza e amarelo que surgiu a logomarca do escritório do arquiteto Túlio Xenofonte e seu sócio, Edu Lupo Toledo. Mas a dupla de cores não ficou restrita ao papel e ganhou as paredes do home office, garantindo ainda mais vivacidade ao lar do arquiteto. “Além de ser uma cor neutra e combinar com tudo, o cinza destaca os elementos que o acompanham. Por exemplo, os quadros fixados na parede não teriam tanta graça caso o fundo fosse branco”, ilustra o profi ssional. Se o verde foi utilizado para demarcar os ambientes onde a intimidade impera, coube ao amarelo setorizar as áreas do escritório. Dessa forma, o colorido foi pontuado também no banheiro, espaço frequentemente visitado. “O uso das cores foi útil nas áreas que servem de ponto de intersecção entre casa e trabalho”, complementa.
Tapete e cadeiras giratórias, Etna; mesas brancas, Marcenaria Oriol; mesa de apoio, Ben-Hur Antiguidades.
Sem medo de mudanças Mudar é um imperativo na vida do homem. Das estações do ano à evolução do corpo, nada fica imune às transformações provocadas pelo tempo. O que dirá, então, dos gostos, sonhos e humores? Todos são transitórios, mas nem por isso menos importantes. Para que a decoração do seu recém-comprado apartamento no Guarujá, litoral paulista, acompanhasse com facilidade os rumos inesperados da sua vida, o arquiteto Cássio Pinto teve na ocasião uma ideia corajosa: manter paredes, móveis e pisos em nuances claras e deixar a cor entrar nos ambientes através dos acessórios. Com isso, a dinâmica do espaço pode ser continuamente transformada apenas alternando as tonalidades dos objetos.
“A cor foi o ponto de partida para trazer elementos da praia e do verão para a casa. Toda a transformação custou R$ 12 mil”, Cássio Pinto, arquiteto
Pranchas de demolição, Vila Seberian; almofadas e tapeçaria, Morarte Decorações; bancos de cachepô, Kaza Móveis; quadros, Tendência Molduras; mesa de centro, Depósito Santa Fé; estante em círculo e rack, Marcenaria Alberto; luminária e bandejas, Ceasa Sorocaba; tapete de bambu, Star Garden; espelho, Vidraçaria Barbara; mesa lateral, Karandá Móveis e Decorações
Conto de areia
Foi a paixão pelo litoral que motivou Cássio Pinto a buscar um apartamento às margens da praia da Enseada, no Guarujá. Entretanto, o local escolhido pouco lembrava o gostoso clima praiano que ele tanto buscava: o imóvel de 68 m² era escuro, degradado e estava fechado havia quase 10 anos. “O fato de ele estar ruim foi justamente o que me motivou a comprá-lo e a não ter receio de reformá-lo por inteiro”, lembra o arquiteto. "Além disso, consegui concluir toda essa transformação gastando apenas R$ 12 mil”. Para não ultrapassar o orçamento limitado, garimpou peças e deu seu toque pessoal a cada objeto escolhido. Um exemplo foram os bancos de madeira, que, na verdade, são cachepôs que receberam futons. Já o quadro da sala nada mais é do que um tecido emoldurado. “Fiz ainda o forro da estante da sala com o que sobrou da madeira de demolição utilizada no painel”, revela Cássio.
Conto de areia
Foi a paixão pelo litoral que motivou Cássio Pinto a buscar um apartamento às margens da praia da Enseada, no Guarujá. Entretanto, o local escolhido pouco lembrava o gostoso clima praiano que ele tanto buscava: o imóvel de 68 m² era escuro, degradado e estava fechado havia quase 10 anos. “O fato de ele estar ruim foi justamente o que me motivou a comprá-lo e a não ter receio de reformá-lo por inteiro”, lembra o arquiteto. "Além disso, consegui concluir toda essa transformação gastando apenas R$ 12 mil”. Para não ultrapassar o orçamento limitado, garimpou peças e deu seu toque pessoal a cada objeto escolhido. Um exemplo foram os bancos de madeira, que, na verdade, são cachepôs que receberam futons. Já o quadro da sala nada mais é do que um tecido emoldurado. “Fiz ainda o forro da estante da sala com o que sobrou da madeira de demolição utilizada no painel”, revela Cássio.
Texto Leonardo Valle | Adaptação Renacha Batista | Reportagem Leonardo Valle, Naélia Forato e Patrícia Galleto | Fotos Sidney Doll


















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